Ser CORINTIANO – Juca Kfouri

O CORINTIANO CURTE, OLHA PARA A FRENTE, PARA TRÁS E PARA O LADO E VÊ TUDO COMO SE ESPELHO FOSSE

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

É sabido, desde que Charles Darwin explicou a Teoria da Evolução, que todos nascemos corintianos.
Infelizmente, muitas vezes, até mesmo por um trauma no parto, alguns poucos, que só são muitos quando se juntam, sofrem de um desvio pelos caminhos da vida.
A estes, desde já, o nosso consolo e a nossa superior, centenária compreensão, para não dizer comiseração.
Sim, porque ser corintiano é ir além de ser ou não ser o primeiro, como já cantou Toquinho. Para o corintiano, como cantou também Gilberto Gil, não importa o plano do destino, cada jogo é o coração que joga.
Porque o corintiano tem um time.
Isso mesmo: em vez de ser o time que tem uma torcida como todos, em nosso caso é a torcida que tem o time, como definiu o imortal jornalista José Roberto de Aquino.
Para o corintiano, por sinal, ser campeão é detalhe.
Muitas vezes ele vai ao estádio para se curtir, para olhar para a frente, para trás e para o lado e ver tudo como se espelho fosse -e ainda, e tantas vezes, e sempre incrédulo perguntar: como é possível? Como é possível sermos tantos?
Como é possível sermos tantos e tão felizes?
Como é possível sermos tantos, tão felizes e tão apaixonados?
Não, o corintiano não quer que ninguém não corintiano, ou, pior, anticorintiano, ou indiferente, o entenda. Ou que tente explicá-lo.
E também não perde seu tempo tentando explicar o que é ser corintiano.
Porque o corintianismo não se explica, se sente.
É um estado de espírito, para quem acredita em espírito, um estado d’alma, para quem acredita em alma.
É um estado, enfim.
Um estado.
Não este Estado que deveria se chamar Corinthians.
Não como esta cidade, que tem como defeito insanável não se chamar Corinthians, porque berço e residência de uma considerável maioria corintiana.
O jovem, mas sábio, jornalista Vitor Guedes ensina que torcedor gosta de futebol. Já o corintiano gosta é do Corinthians. É fato! Corintiano gosta mesmo é do Corinthians. Porque está no sangue, no DNA.
Corintiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus, para quem acredita Nele e para quem não acredita também.
Católico, apostólico, romano e corintiano, como meu pai dizia ser, embora, na verdade, não fosse nem católico, nem apostólico, nem muito menos romano, botucatuense que era. Era só corintiano, a melhor herança que poderia deixar, além da retidão.
Aliás, impossível falar de corintianos e não falar do pai, em nome dele, em honra a ele. Ou você não notou na pesquisa que os corintianos são os que mais seguem o time do pai?
E você acha mesmo que depois disso é preciso explicar o que é ser corintiano?
Ora bolas! Pois aqui tem um bando de loucos, loucos por ti, Corinthians!

São Paulo, quarta-feira, 01 de setembro de 2010


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