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Aprendendo a amar – Cláudio Carvalhaes – Cláudio Carvalhaes

Aprendendo a amar – Cláudio Carvalhaes

Toda forma de amor vale a pena. Toda forma de amor é resultado de um desprendimento, uma falta de cuidado, uma necessidade de não pensar direito nem corretamente. Um suspirar por uma certa liberdade que não se tem e que se busca tanto sem que necessariamente se consiga nada que seja parecido com ela. O amor é busca de liberdade, uma maneira de se livrar de um destino imaginado como fatalista, imovível. O amor é o mexer nas águas paradas da vida pra ela se mover de novo. Pois o amor é o milagre das águas em movimento, o batismo que continua pronunciando o nome de um amor maior, quase que conhecido, quase sempre nuanciado pelas novas águas dos rios que continuam correndo dentro e ao redor de nós. O amor é esse anseio por águas correntes, as vezes fortes, as vezes suave, as vezes turva, as vezes poluídas, as vezes frias, as vezes destruidoras, as vezes submersas, mas sempre águas, sempre águas. O amor é um desfazer das fatalidades imaginárias e construídas e também a luta pra se desfazer das fatalidades inusitadas e inesperadas que o dia-dia da vida traz e cria e se coloca na frente da gente. O amor é oração de pedido de perdão, deslavada desculpa pelos erros cometidos, uma forma de fazer a vida começar tudo novo de novo desde hoje, agora pra sempre. O amor é essa promessa que a vida nunca mais será como foi mas será o melhor que puder daqui pra frente. O amor é essa confiança que as mazelas das sensações de quebraduras agora serão emendadas com uma cola especial que a tudo sustenta e guarda. O amor é dramático e besta, intenso e descuidado. Como diz  a música, o amor é o que fica entre o choro de um destino cruel e o suspiro pela liberdade desse mesmo destino.

Lascia ch’io pianga

mia cruda sorte,

E che sospiri la libertà!

E che sospiri,

e che sospiri la libertà!

E de tanto chorar e de tanto suspirar pela liberdade, o amor se faz capaz de a tudo mudar. O amor é o abre alas de uma nova vida, como se as portas da avenida do samba se abrissem para um novo contar de uma nova estória, de uma nova vida que começa agora já com 4 mil passistas e alas coloridas e inventadas, com as bênçãos das baianas mais lindas e o ritmo da bateria. Aí sim, o choro deixa de ser choro e vira canto, canto de amor. Já a liberdade, tão suspirada antes agora vira sorriso e suor do corpo que canta e dança e canta e dança e canta e dança e canta e dança até o chegar da aurora e o raiar de um novo dia.

O amor é essa insistência em fazer o corpo se levantar e caminhar, essa vontade de ir ao encontro, de se preparar para a vida novamente, e viver outros amores tão e ainda mais lindos do que os já vividos. O amor é prece de fé com um olho fechado e outro aberto, esperando ver o que se acabou de pedir. O amor é as marcas do joelho no chão em amor prostrado, entregue, que pede e busca e se doa ridícula, perigosa e completamente. O amor é essa confusão do coração que num sabe o que fazer quando acha que ama e que não sabe como caminhar quando pensa que sabe o que quer.

O amor é o fim da musica mais linda para deixar começar o início de uma música nova que acaba de começar na vitrola dos nossos corações e que alguém colocou lá sem a gente saber. Escuta! Tá ouvindo? Olha que lindo!!!

O amor é tragédia que vira gozo, cansaço que vira a força de uma outra vez, o re-des-cobrir do que estava escondido e perdido no mofo do tempo e dos olhos remelados. O amor é boa nova da moeda perdida que se faz achar, o brinco da avó que se escondeu na gaveta velha e que agora rola da parte de trás pra frente da gaveta quando a gente queria só pegar uma meia. O amor é a carta de amor que teima em chegar pelo correio, perfumada e arfada com beijos de lábios vermelhos. O amor é como pau torto que agora é coluna de sustentação da vida de tantos outros; traste que ganha valor e lugar no mundo do coração dos amantes, sorriso inesperado de quem olha pra trás só pra nos ver sorrindo e depois ir pra nunca mais voltar.  O amor é cura do que a gente nem sabe mais que dói, é passar a borracha no caderno no final do ano para começar escrever tudo novo no ano que vem.

Toda forma de amor vale a pena. Pois amando sempre e desesperadamente eu preciso sempre aprender a amar. Tenho tudo que o amor me deu, e ainda preciso aprender a amar.

Cláudio Carvalhaes

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