Livro
Título: TRANSGRESSÕES: RELIGIÃO, PERFORMANCE E ARTE
“Para adquirir uma cópia do livro por favor entre em contato com Joyce Martins Carvalhaes pelo e-mail: “killys@terra.com.br” ou compre diretamente na livraria Loyola em São Paulo: Rua Senador Feijo, 120 Centro”
Gerais:
* Em memória de meu pai, Waldemar Carvalhaes, religioso, performer, artista.
* “Ninguém dirige a quem Deus extravia” Raduam Nassar
Agradecimentos:
Ao meu sobrinho Tiago Chiavegatti pela tradução do Inglês de dois ensaios e à Selma Almeida Rosa pela revisão do Português de quatro ensaios. Ao Jaci Maraschin que ajudou com traduções e com a revisão final de todos os textos.
Índice
ü A Religião Entre os Sinais da Pós-Modernidade
ü Religião, Ritual e Crença Numa Visão Pós-Estruturalista
ü Halloween e a Religião Cristã: o Estranho, o Parasita e a Memória
ü Religião, Arte e Cultura
ü “Vem Espírito, Vem” – Sobre Arte, Fé e Performance
ü Promessas de Epifanias – Religião e Estética Nos Portões e Véus de Açafrão no Central Park em Nova York
Sobre o livro:
Nesta série de ensaios, Cláudio Carvalhaes usa ferramentas pós-modernas e pós-estruturalistas para desconstruir a noção de religião como concebida no ocidente cristão. É uma tentativa (ousada) de transgredir a racionalidade da religião, expondo sua estrutura metafísica excludente, sua universalidade conceitual e seu desejo de apropriação e autonomia. Buscando recuperar o que foi negligenciado no discurso cristão, Carvalhaes evoca/invoca a arte como parceira imprescindível para criar um espaço performático e litúrgico capaz de incluir aqueles que não foram agraciados com o dom da fé ou não conseguem acreditar como exigem os credos e confissões.
O que disseram do livro:
* Cada ensaio deste livro carrega uma marca muito própria do autor. A linguagem, as metáforas, o estilo, o jeito de elaborar as idéias… Em “Vem Espírito, Vem” – Sobre Arte, Fé e Performance, por exemplo, é como se um novelo de linha tivesse sido desenrolado e espalhado pelo chão. Os fios formam figuras e seguem um caminho definido, embora misterioso. O desafio não é achar a ponta da linha - porque essa já se encontra na mão de quem observa, no caso, a do autor – mas percorrer os olhos pelo caminho do fio.
Selma Almeida Rosa, Professora da Faculdade Teológica Sul Americana
* O belo livro de Cláudio Carvalhaes está nas suas mãos. Não pretende ser tratado dogmático nem cartilha para ensinar o que ainda não se sabe. Faz parte do mesmo sopro criador do Espírito. É o compartilhar de experiências que só podem ser compartilhadas pelos que também experimentam as transgressões nas margens e além delas.
Jaci Maraschin
Professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião
UMESP
Sobre mim
Claudio Carvalhaes, nascido e criado em São Paulo, estudou teologia no Seminário Presbiteriano Independente de São Paulo e fez seu mestrado em Ciências da Religião no Instituto Ecumênico de Pós- Graduação de São Bernardo do Campo, SP onde desenvolveu sua dissertação sobre “Albert Camus e o Cristianismo”. Fez especialização em ecumenismo no Conselho Mundial de Igrejas em Genebra, Suiça, e atualmente faz seu doutorado no Union Theological Seminary e Universidade de Columbia em Nova York nos Estados Unidos. Carvalhaes é membro-fundador da Sociedade Paul Tillich do Brasil, membro-fundador e parte da comissão editorial da Associação Brasileira de Estudos sobre Pós-Modernidade (ABEP), da Sociedade de Estudos Camusianos, da Sociedade para as Artes, Religião e Cultura Contemporânea (ARC) nos Estados Unidos, da Academia Americana de Religião (AAR) e membro visitante da Academia Norte-Americana de Liturgia (NAAL). Para saber mais de seus recents projetos, artigos publicados e também para contato, visite o seu sítio na internet: www. claudiocarvalhaes.com
..::| APRESENTAÇÃO |::..
A Associação Brasileira de Estudos sobre Pós-Modernidade (ABEP), como parte de seu programa de ação, oferece aos leitores mais este texto de reflexão sobre questões relacionadas com religião e arte na perspectiva das preocupações da pós-modernidade. O autor deste livro, Cláudio Carvalhaes, foi aluno de mestrado na UMESP, nos anos 90.
Tive o prazer de ser seu orientador. Naquela época estava fascinado pelo existencialismo e conquistou merecidamente o título de mestre em ciências da religião com bem elaborada dissertação sobre as relações entre o pensamento de Albert Camus e o cristianismo. Depois disso, mudou-se para a área de Boston, nos Estados Unidos e em 2001 ganhou uma bolsa de estudos para realizar seu doutorado no Union Theological Seminary e na Columbia University em Nova York. Quando fundamos na UMESP o grupo de pesquisa sobre “Religião e Pós-Modernidade”, convidei-o para participar de nossas atividades acadêmicas, coisa que ele aceitou com prazer. Apesar da distância geográfica, Cláudio participa regularmente de nossas atividades e colabora, como membro de seu corpo editorial, na revista Margens.
Cláudio orienta suas pesquisas entre as fronteiras da religião e da arte tomando como referencial epistemológico o pensamento de Jacques Derrida, John D. Caputo e Mark C. Taylor de quem já foi aluno. Embora se mostre ecumênico, no sentido amplo do termo, concentra-se na religião cristã, à qual pertence. Entretanto, peregrina mais pelas suas margens do que pelo centro e, às vezes, parece transgredir as fronteiras com que as denominações tentam delimitar seus campos de ação. O título deste livro acentua o que estou querendo dizer, Transgressões: religião, performance e arte. É no ato da transgressão que “funciona” o pensamento assim chamado pós-moderno.
De que maneira se movimenta a religião entre os sinais da pós-modernidade? Quem está preocupado com isso? Faz pouco tempo li uma reportagem no jornal “O Estado de São Paulo” sobre a grande diversidade de formas religiosas evangélicas no Brasil. Todas elas retratavam certos fenômenos pós-modernos como, por exemplo, a fragmentação das instituições eclesiásticas, o descrédito das autoridades eclesiásticas legalistas e a liberdade de expressão litúrgica. Por outro lado, fundamentavam-se em bases modernas e até mesmo pré-modernas, notadas na devoção ao fundamentalismo bíblico, na vontade de arregimentação dos fiéis e no uso de fórmulas dogmáticas encarceradas em certezas e definições precisas. Não se pode dizer, portanto, que essa avalanche de novas formas de religião evangélica seja pós-moderna. Os sociólogos da religião empenham-se em descrever e analisar o crescimento dessas formas religiosas, quase sempre de natureza pentecostal ou carismática, como eles gostam de dizer. Não é sobre elas, no entanto, que as reflexões de Cláudio Carvalhaes se dirigem. Quando eu disse que ele anda pelas “margens” queria também dizer que está interessado nos “marginalizados” que não se conformam com a “reta doutrina” nem com o “ensinamento infalível” dos que pensam possuir a chave do mistério e o domínio do sagrado. Conheço uma seita anglicana, em Recife, que se proclama guardiã da “sã doutrina” e que acredita estar “conhecendo, vivendo e afirmando a verdade”, como se isso fosse possível. Cláudio sabe que “a verdade” das seitas é pura mistificação. Sabe também que Jesus, o Cristo, nunca esteve interessado em formular qualquer sistema doutrinário mas, bem ao contrário, desconstruir os sistemas que sufocavam o povo de seu tempo com exigências legalistas e moralistas. Jesus não foi crucificado por causa de sua fidelidade aos credos, mas porque mostrou a podridão das instituições religiosas e as hipocrisias políticas de seu tempo.
Em lugar da reta doutrina e do conhecimento da verdade, Cláudio volta-se para o sopro indomável do Espírito. Convém ressaltar que não obstante as dificuldades para se entender o significado da palavra “verdade” ao longo da história do pensamento, pode-se dizer que, pelo menos, nossa cultura ocidental cristã tem sido guiada por duas atitudes: verdade como adequação do conceito à coisa, e verdade como a razão do coração já mencionada por Pascal. Os estudiosos da história da filosofia lembram muito bem a afirmação de que “o coração tem razões que a razão desconhece”. É dessa verdade que tratam a religião e a arte. Lemos no evangelho de João: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A verdade de Jesus é a do coração. Não é a verdade do dogma. É da verdade do dogma que a verdade do coração nos libertará. Paradoxalmente, a frase do evangelho nos chama para esse tipo de conhecimento que “excede toda a compreensão” para que ele nos liberte da verdade que permanece limitada à compreensão. A frase pode, então, ser lida da seguinte maneira: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará da verdade”. No capítulo intitulado, “Vem, Espírito, vem!” ele nos mostra a liberdade da criação e a possibilidade das impossibilidades. As fidelidades sectárias têm sido infidelidades ao sopro do Espírito. As nossas imagens de Deus, sejam quais forem, sempre serão “nossas imagens de Deus” e, como tais, idólatras. Relembro a experiência dos místicos sempre avançando além do Deus que cabe nas definições.
Cláudio não é descrente. Como Vattimo ele poderia dizer, “creio que acredito”. Acreditar, no entanto, é diferente de “possuir a verdade”, isto é, a verdade da lógica. É muito mais questão de encantamento e êxtase do que de racionalidade . Neste ponto ele prefere se orientar pela fé de Kierkegaard do que pelo escolasticismo de Tomás de Aquino. É por isso, também, que o autor deste livro insiste na relação estreita entre religião e arte. É bem melhor não defini-las. São experiências espirituais libertadoras. Não são coisas que podem ser ensinadas. Ultrapassam o domínio da “verdade” científica e tecnológica. Não estão em luta com esse tipo de verdade. Pertencem a outra dimensão da realidade. É por isso que ele se deslumbra com a experiência artística de Christo, quando encheu de portões da cor do açafrão os caminhos do Central Park de Nova York em fevereiro de 2005. Algumas pessoas olhavam para aqueles portões com suas bandeirolas ao vento e nada viam. Coisa parecida com a religião.
Cláudio se mostra entusiasmado com os deslumbramentos provocados pelo Espírito que sopra onde quer e como quer. E percebe esse sopro ao seu redor, nas obras de arte e nas manifestações de amor. É por isso, também, que a palavra “performance” torna-se importante nesses capítulos. Trata-se de termo utilizado no mundo da arte para indicar o que se faz e como se faz. Leva em consideração o corpo e suas diversas maneiras de ser. É no corpo que somos espírito, escrevi certa vez. É por isso que a religião e a arte só existam na dimensão corporal. São, cada uma a seu modo, “performances”. É provável que a arte tenha sido mais “corpórea” do que a religião, muito embora, na longa história dos credos e das manifestações litúrgicas o corpo sempre tenha sido elemento determinante nas suas práticas. O Antigo Testamento é exemplar nesse sentido. As orientações litúrgicas da religião de Israel chegam a minúcias que muitos dos nossos evangélicos fundamentalistas fazem tudo para esquecer. Mas estão lá. E até mesmo os anjos, considerados seres espirituais no imaginário bíblico, têm asas e corpos bonitos.
O belo livro de Cláudio Carvalhaes está nas suas mãos. Não pretende ser tratado dogmático nem cartilha para ensinar o que ainda não se sabe. Faz parte do mesmo sopro criador do Espírito. É o compartilhar de experiências que só podem ser compartilhadas pelos que também experimentam as transgressões nas margens e além delas.
Jaci Maraschin
Professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião
UMESP
